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As muralhas, portões e bars de York explicados

As muralhas, portões e bars de York explicados

O que é um 'bar' em York e quantos existem?

Um bar é um portão fortificado medieval nas muralhas de York, não um bar de bebidas. Existem quatro bars principais — Micklegate Bar, Bootham Bar, Monk Bar e Walmgate Bar — além de portões mais pequenos, como o Fishergate Bar e o vitoriano Victoria Bar. Todos se situam no circuito de muralhas de York, com cerca de 4 km, que é gratuito e em grande parte intacto.

York tem o circuito mais completo de muralhas defensivas medievais de toda a Inglaterra, com cerca de 4 km de perímetro, e é possível percorrê-lo quase na íntegra de graça. O que confunde os visitantes é a palavra “bar” — em York, um bar não é um bar de bebidas, é um portão fortificado, e os quatro principais (Micklegate, Bootham, Monk e Walmgate) estão entre os portões medievais mais bem preservados do país. Compreender para que servia realmente cada um transforma um passeio agradável no topo de uma muralha em algo mais próximo de ler a história da cidade em pedra.

Porque é que York tem muralhas, afinal

As defesas de York remontam à fortaleza romana de Eboracum, e sucessivas reconstruções por anglo-saxões, vikings e normandos significam que as atuais muralhas de pedra datam maioritariamente dos séculos XII a XIV, construídas sobre fundações de terraplenagem anteriores. As muralhas foram um ativo militar sério durante a maior parte desse tempo — York era uma cidade comercial rica e um alvo frequente, e o circuito foi mantido e reforçado repetidamente, incluindo durante a Guerra das Duas Rosas e a Guerra Civil Inglesa, quando a cidade sofreu um verdadeiro cerco em 1644.

No século XVIII, tinham-se tornado mais um estorvo do que um ativo (bloqueavam o trânsito e o comércio) e vários bars quase foram abaixo, antes de uma campanha de preservação da era georgiana salvar a maior parte do que ainda hoje está de pé — consulte o guia da York georgiana para saber como as prioridades da cidade mudaram nesse período.

Micklegate Bar: a entrada real

O Micklegate Bar situa-se no lado sudoeste das muralhas, virado para a estrada que historicamente levava a Londres, o que o tornou o portão cerimonial usado pelos monarcas ao entrar em York. Esse estatuto trazia consigo uma função mais sombria: durante séculos, as cabeças de traidores executados foram exibidas em espigões sobre o portão como aviso público, uma prática que se prolongou até ao século XVII. O caso mais célebre é o de Ricardo, Duque de York, cuja cabeça foi ali exibida em 1460, após a sua derrota e morte na Batalha de Wakefield, durante a Guerra das Duas Rosas — segundo consta, com uma coroa de papel colocada sobre ela em tom de escárnio, um pormenor que Shakespeare usou em Henrique VI.

O bar alberga hoje uma pequena exposição sobre a sua história e a tradição das entradas reais na cidade, e ancora a aproximação ocidental para quem chega da estação ferroviária.

Bootham Bar: a linha romana

O Bootham Bar, no lado norte, perto da York Minster, ergue-se no local de um dos portões romanos originais de Eboracum, o que o torna o bar com a história contínua mais antiga como ponto de entrada, ainda que a estrutura atual seja medieval. É o ponto de partida natural se estiver a combinar um passeio pelas muralhas com uma visita à Minster, já que fica mesmo junto à fachada ocidental da Minster e conduz até Bootham e à zona do Yorkshire Museum nos Museum Gardens.

É visualmente menos dramático do que o Monk Bar ou o Walmgate Bar, mas a sua posição — literalmente sobre fundações romanas — torna-o merecedor de uma pausa, e não apenas de uma passagem rápida.

Monk Bar: o mais alto e mais bem preservado

O Monk Bar, no lado nordeste, é geralmente considerado o melhor dos quatro: é o mais alto dos bars de York, com quatro andares, e o único que ainda tem a sua grade original funcional, que pode efetivamente ser baixada (a equipa faz demonstrações periódicas). Alberga um pequeno museu dedicado a Ricardo III, algo adequado dada a linhagem medieval do edifício e as verdadeiras ligações históricas de York à causa iorquista.

Se só tiver tempo para explorar devidamente um bar, em vez de apenas passar por ele, escolha este — a subida pelas câmaras interiores dá uma noção muito melhor de como funcionava um portão fortificado em atividade, com buracos de assassínio e elementos defensivos que não se percebem do exterior.

Walmgate Bar: o único barbacã sobrevivente

O Walmgate Bar, no lado leste, é a verdadeira raridade do conjunto. É o único bar em Inglaterra a conservar o seu barbacã — um recinto exterior amuralhado, projetado a partir do portão, que encaminhava os atacantes para um espaço confinado sob fogo vindo das muralhas acima, antes sequer de conseguirem chegar ao portão principal. A maioria das muralhas das cidades inglesas perdeu os seus barbacãs séculos atrás; York manteve este. Existe também um edifício de entramado de madeira da época Tudor anexado à face interior do bar, usado historicamente como residência, o que dá ao Walmgate Bar um aspeto doméstico e habitado que os outros três não partilham.

É o mais calmo dos quatro bars em termos de número de visitantes, o que o torna uma boa paragem se quiser uns minutos sem multidões.

Os portões e passagens mais pequenos

Para além dos quatro bars principais, as muralhas incluem aberturas mais pequenas: o Fishergate Bar, um portão medieval mais modesto no lado sudeste, que esteve bloqueado durante mais de um século após um levantamento em 1489 e só reabriu mais tarde; e o Victoria Bar, que, apesar do nome de sonoridade medieval, é um acrescento genuinamente vitoriano, aberto nas muralhas em 1838 para melhorar o acesso à crescente zona residencial próxima. É um exemplo útil de como as muralhas continuaram a evoluir muito depois de o seu propósito defensivo se ter esbatido — vale a pena saber, caso um guia ou uma placa o mencione e presuma, razoavelmente, que deve ser medieval como tudo o resto.

A ameaça de demolição do século XVIII

Vale a pena saber que os bars de York quase não sobreviveram até aos dias de hoje. Na era georgiana — consulte o guia da York georgiana para o contexto mais alargado de como a cidade se reinventou no século XVIII — os bars tinham-se tornado verdadeiros obstáculos para uma cidade em crescimento: arcos estreitos entupidos de carroças e peões, numa altura em que outras cidades inglesas derrubavam os seus antigos portões para alargar estradas ao tráfego de diligências e, mais tarde, aos primeiros carros da era industrial. York esteve perto de fazer o mesmo.

Alguns portões e passagens mais pequenos foram de facto derrubados ou substancialmente alterados, e houve propostas sérias, nos séculos XVIII e XIX, para remover os barbacãs e as defesas exteriores dos bars que restavam, de forma a facilitar o trânsito. O barbacã do Walmgate Bar sobreviveu em parte por sorte e em parte graças à resistência de residentes preocupados com a preservação, que valorizavam o carácter medieval da cidade mais do que o acesso irrestrito das carroças — uma versão precoce e informal dos argumentos de conservação patrimonial que são hoje totalmente normais, mas eram invulgares na época.

É um lembrete útil de que sobrevivências “medievais” como esta raramente são automáticas; as muralhas de York existem hoje porque, em pontos suficientes ao longo de três ou quatro séculos, pessoas suficientes optaram ativamente por não as derrubar.

Um percurso de um dia que liga os quatro bars

Se quiser ver os quatro bars principais numa única saída, em vez de os encontrar isoladamente, um percurso sensato no sentido horário começa no Bootham Bar, junto à Minster, segue para nordeste ao longo das muralhas até ao Monk Bar (cerca de 15-20 minutos a pé no topo das muralhas, passando por boas vistas sobre os Museum Gardens e o topo leste da Minster), continua para sudeste em direção ao Walmgate Bar (mais 20-25 minutos, este troço passa junto à área de Jewbury e dá boas vistas sobre o rio Foss), e termina no Micklegate Bar, no lado sudoeste, alcançado ou continuando pelas muralhas onde o circuito o permite, ou descendo e caminhando pelo centro da cidade, passando pela Shambles e pela Clifford’s Tower.

Fazer o circuito completo desta forma, com uma pausa dentro do pequeno museu do Monk Bar e uma paragem para café algures no centro, preenche confortavelmente meio dia. É também uma forma genuinamente boa de se orientar em York numa primeira visita, já que as muralhas oferecem vistas elevadas sobre todo o centro compacto — vale a pena combinar com os conselhos do guia de primeira visita a York, se estiver a planear o seu primeiro dia.

Os fotógrafos tendem a obter os melhores resultados de manhã cedo, quando a luz é baixa e quente e o passadiço está quase vazio, ou vistos de fora das muralhas, olhando para cima de um bar, em vez de a partir do próprio passadiço — o Micklegate Bar em particular fotografa bem a partir de Blossom Street, olhando para norte, com o portão emoldurado contra o céu. A altura do Monk Bar torna-o o mais dramático visto de baixo, sobretudo com a grade visível na sua posição levantada.

Percorrer o circuito

O circuito completo tem cerca de 4 km e é gratuito para percorrer a pé, entrando e saindo em qualquer um dos bars ou pontos de acesso intermédios. Realisticamente, conte com 90 minutos a duas horas, se estiver a percorrer a maior parte a um ritmo relaxado e a parar para ler os painéis informativos — mais tempo se estiver a combinar com visitas ao interior do Monk Bar ou do Micklegate Bar. Tenha em conta que troços curtos fecham por rotação para reparações (as muralhas têm quase 700 anos em alguns pontos e precisam de manutenção constante), por isso verifique que troços estão abertos antes de se comprometer com um circuito completo, em vez de um percurso de ida e volta.

O próprio passadiço é estreito, com um parapeito baixo em alguns pontos, irregular sob os pés, e alcançado por escadas de pedra íngremes sem elevador em lado nenhum — não é adequado a carrinhos de bebé nem a cadeiras de rodas, e vale a pena vigiar de perto crianças pequenas. Para uma descrição mais completa do percurso, consulte o guia do passeio pelas muralhas da cidade.

Um passeio guiado pelos destaques da cidade é uma opção genuinamente útil aqui, se quiser a história devidamente explicada, em vez de reconstituída a partir de painéis informativos — um bom guia liga os bars à história mais alargada da York medieval e da York viking, de uma forma difícil de obter apenas com um passeio autoguiado.

O que os bars significam para a sua visita

Nada disto exige grande desvio se já estiver a explorar o centro de York. O Bootham Bar fica mesmo junto à Minster, o Monk Bar fica a uma curta caminhada da Shambles e da zona do Shambles Market, e o Micklegate Bar fica no trajeto direto entre a estação ferroviária e o centro da cidade, pelo que a maioria dos visitantes passa por pelo menos um ou dois bars sem sequer tentar.

Se estiver a construir um dia mais completo, o itinerário de três dias em York integra um passeio pelas muralhas numa manhã, ao lado da Minster e da Clifford’s Tower, e o guia de primeira visita a York tem conselhos mais alargados sobre como sequenciar uma primeira visita, para que as muralhas não pareçam uma reflexão tardia acrescentada ao fim de um dia cansativo.

Se preferir que alguém adapte o ritmo e o percurso ao que especificamente quer ver, um passeio guiado privado por York pode integrar os bars, as muralhas e a cidade medieval mais alargada num único percurso, sem que tenha de planear a logística sozinho.

Notas honestas

As muralhas são genuinamente uma das melhores atrações gratuitas de York, mas a experiência varia enormemente consoante a hora do dia e a estação do ano. Entre as 10h e as 16h no verão, os troços mais populares perto da Minster e do Monk Bar ficam apinhados de trânsito pedonal lento, num passadiço que muitas vezes só é largo o suficiente para duas pessoas se cruzarem confortavelmente, por isso o início da manhã ou o início da noite proporcionam uma experiência visivelmente melhor, com vistas mais claras sobre a cidade e os Museum Gardens. Nenhum dos museus dos bars é grande — tanto a exposição sobre Ricardo III do Monk Bar como a exposição histórica do Micklegate Bar são visitas modestas, de 15-20 minutos, e não atrações de meio dia — por isso não construa um dia inteiro à volta deles; são um bom complemento a um passeio pelas muralhas, não um destino autónomo.

Os interiores pagos são baratos (tipicamente umas poucas libras cada) mas verifique os horários de funcionamento atuais antes de planear em torno deles, já que o acesso é mais limitado do que o das próprias muralhas e alguns interiores fecham no inverno.

Perguntas frequentes sobre as muralhas e os bars de York

O que significa “bar” em York?

É um termo histórico para um portão fortificado nas muralhas da cidade — um portão que podia ser fechado com uma barra — e não um bar de bebidas. Os quatro bars principais de York são Micklegate, Bootham, Monk e Walmgate.

Qual é o bar com a grade funcional?

O Monk Bar, no lado nordeste das muralhas. É o mais alto dos quatro bars e o único onde o mecanismo original da grade ainda funciona.

Porque eram exibidas cabeças no Micklegate Bar?

Era um aviso público contra a traição, uma prática comum nos principais portões das cidades na Inglaterra medieval e no início da era moderna. O caso mais famoso do Micklegate Bar é a cabeça de Ricardo, Duque de York, ali exibida em 1460, após a Batalha de Wakefield.

Vale a pena visitar o Walmgate Bar se já tiver visto o Monk Bar?

Sim — é estruturalmente diferente, com o único barbacã sobrevivente de qualquer portão de cidade inglesa e um edifício Tudor anexado à sua face interior. É também mais calmo do que o Monk Bar, o que alguns visitantes preferem.

Quanto tempo demora a percorrer toda a muralha da cidade de York?

Cerca de 90 minutos a duas horas para o circuito completo de 4 km a um ritmo relaxado, mais tempo se parar em cada bar. Alguns troços fecham periodicamente para manutenção, por isso verifique o que está aberto antes de partir.